A área da nutrição está carregada de mitos acerca do que comer, do que não comer, em que quantidades e em que horários.

No meio de tanta (des)informação, é fácil ficarmos confusos e cometermos erros. O que é bom para uma pessoa pode não ser bom para si, por isso escolha uma opinião válida e comprovada.

Dado o número elevado de crenças e de mitos que têm persistido ao longo do tempo, pedi aos nutricionistas da “casa” que nos esclarecesse alguns deles. No fim, cheguei a uma conclusão: além de muitos desses mitos serem falsos, podem também levar-nos a comportamentos incorretos e, em alguns casos, prejudiciais para a saúde.

Mito 1: “O vinho depois da melancia encortiça no estômago”

Ainda são muitos os que acreditam nesta afirmação. No entanto, não poderiam estar mais errados: a melancia juntamente com o vinho não “encortiça” no estômago. O que acontece, é que a junção dos dois alimentos numa refeição provoca um aumento do pH no estômago, dando uma sensação de enfartamento e mal-estar.

Ainda são muitos os que acreditam nesta afirmação. No entanto, não poderiam estar mais errados: a melancia juntamente com o vinho não “encortiça” no estômago. O que acontece, é que a junção dos dois alimentos numa refeição provoca um aumento do pH no estômago, dando uma sensação de enfartamento e mal-estar.

Como a melancia é uma fruta muito leve e fresca, temos tendência a comer maiores quantidades do que deveríamos, o que nos provoca essa sensação de enfartamento, algo que em pessoas mais sensíveis, pode causar náuseas ou mesmo vómitos.

Em suma: não há qualquer razão para não juntar estes dois alimentos. Aliás, existem mesmo receitas que os têm na sua lista de ingredientes e que fazem as delícias dos comensais.

Mito 2: “Laranja de manhã é ouro, à tarde prata e à noite mata”

Há muitas gerações que esta ideia prevalece, mas hoje sabe-se que não passa de um mito. A frase relaciona-se muito provavelmente com o facto de sempre ter sido atribuído um poder excitante à laranja. No entanto, um estudo publicado pelo Journal of Pineal Research, em 2013, demonstrou que o consumo desta fruta à noite estimula a produção de uma hormona responsável pelo sono (melatonina).

Também o seu teor em vitamina C faz deste citrino um alimento importante para a saúde dos vasos sanguíneos, ao mesmo tempo que contribui para a fixação do ferro no organismo, bem como para o crescimento e para a cicatrização dos tecidos. Ou seja, tudo bons motivos para que consuma laranja a qualquer hora do dia − a menos que tenha algum tipo de intolerância a este alimento.

Mito 3: “Laranja misturada com leite faz mal”

Aqui está mais uma daquelas combinações de alimentos que continuam a induzir as pessoas em erro. Se este é o seu caso, saiba que, “apesar de o leite coalhar quando lhe juntamos um ácido, isso não acontece quando juntamos a laranja”, esclarece a nutricionista.

Há mesmo alguns estudos que sugerem que a vitamina C da laranja aumenta a absorção do cálcio presente no leite pelo que, do ponto de vista nutricional, a sua junção é benéfica.

Mito 4: “Os ovos fazem aumentar o colesterol”

Envolto em controvérsia até há uns anos, o ovo foi considerado durante muito tempo como sendo nocivo para a saúde devido ao seu teor elevado de colesterol – ou melhor, a gema. Mas esta ideia é totalmente falsa!

A sua ingestão não faz aumentar o mau colesterol, pois 70% dele é produzido pelo organismo (fígado) e por fatores como predisposição genética, tabagismo, sedentarismo, dieta pobre em fibras e rica em gorduras saturadas. Por isso, os nossos comportamentos e o nosso estilo de vida têm mais peso nesta questão do que a quantidade de ovos que ingerimos. Mas nem sempre é assim: Uma pequena percentagem da população (quem tem hipercolesterolemia familiar) pode reagir ao consumo excessivo de ovos, devendo vigiar os seus níveis de colesterol com maior regularidade.

Em suma: não se deixe levar pelo “diz que disse”.  Uma alimentação saudável baseia-se, como a nutricionista afirma, num consumo aumentado e regular de legumes e de fruta, na ingestão abundante de água e na redução do consumo de alimentos processados. Acima de tudo, o mais importante é escolher o tipo de alimentação que se adequa a si ou, melhor ainda, consulte um nutricionista.