Mês de Consciencialização do Cancro da Próstata

Seguindo a mesma linha do artigo do mês de outubro sobre o cancro da mama, o interesse neste Movember é focar nas doenças predominantemente masculinas. Focando aqui também no cancro, é impossível não falar na doença oncológica mais comum nos homens portugueses e como a alimentação e seus componentes a podem afetar: o cancro da próstata.

Alimentação e controlo de peso

Tal como acontece com outras doenças oncológicas, o estilo de vida é um dos factores que pode contribuir para o risco ou prevenção destas doenças. De todos os comportamentos que englobam o estilo de vida, a alimentação é de fulcral importância! Mas que factores da alimentação podem ter impacte na prevenção do cancro da próstata? Algo que parece um claro factor de risco é a obesidade e o peso a mais. Por outro lado manter um peso saudável é dos melhores factores protectores (ou seja, diminuem o risco). De seguida vamos perceber o papel mais específico de alguns componentes dos alimentos

Soja: amiga ou inimiga?

Tal como muitas questões científicas a resposta é: depende! Apesar da sua recente má fama, a evidência científica mostra que o único grupo que deve controlar o consumo de soja são mulheres em risco de desenvolver hipotiroidismo. Há também alguns relatos de menor contagem de espermatozoides em homens com grande consumo de soja e de menores níveis de testosterona. No entanto esses estudos levantam mais questões do que aquelas que esclarecem e existem outros estudos que não mostram efeitos negativos a este nível.

Há depois a questão da soja transgénica e, essa sim, devemos evitar até que seja claro que este tipo de alimentos apresentam um perfil de segurança adequado.

No que toca especificamente ao tema do artigo a soja tem uma história curiosa. Os estudos epidemiológicos (traduzido para miúdos: os estudos que se fazem ao nível de populações específicas) mostram que há uma grande diferença na incidência desta doença entre o ocidente e o oriente. Em países como na China e no Japão há um menor risco de cancro da próstata do que na Europa e nos Estados Unidos da América. Isto pensava-se ser por diferenças genéticas. O curioso é que ao “por” pessoas desses países orientais em países ocidentais, o risco de desenvolverem cancro da próstata aumentou consideravelmente. O que levantou suspeitas de algum componente da alimentação asiática que tivesse um grande efeito protector. Percebeu-se mais tarde tratar-se da soja, mais especificamente das isoflavonas. O que significa que o consumo regular de soja, principalmente das suas versões fermentadas (Nattō, Miso e Tempeh) pode ser um dos factores mais importantes na redução do risco.

Gorduras: Animal vs Vegetal

Muito se fala de que devemos optar por fontes de gorduras vegetais e evitar as gorduras animais. Este factor reflecte-se também no risco de cancro da próstata com a excepção dos ómega-3 que obtemos do peixe (conhecidos como EPA e DHA), a evidência mais recente mostra que poderá haver um efeito protector destas gorduras saudáveis.

Outros componentes protectores da alimentação

Para além das suas gorduras, o consumo de peixe no geral actua como factor protector. Também no reino vegetal, há muitos mais factores protetores do que apenas as gorduras. São vários os que podem proteger os homens desta condição incapacitante. Desde o licopeno presente no tomate, aos isotiocianatos e indóis das crucíferas (isto é, brócolos, couve flor, couve de bruxelas e grelo até aos compostos antioxidantes do café  A investigação mais recente mostra também que o consumo de chá verde está relacionado com um menor risco.

Podemos realmente encontrar vários aliados na nossa alimentação para reduzir o risco deste tipo de cancro mas conscientes também que a actividade física e a manutenção de um peso saudável será tão importante como o que consumimos na nossa dieta.

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Rafael Carlos
Nutricionista
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